De onde vem as boas ideias

Seteven Johnson fala no vídeo “Where Good Ideas Come From” (disponível no TED  e também, no livro que leva o mesmo nome), sobre as redes líquidas a que atribui grande importância no desenvolvimento das “boas ideias”.

As boas ideias são a matéria prima das inovações seja no campo tecnológico ou social. Embora a concepção que as grandes ideias surjam naquele momento EUREKA!!! A-HA!! o autor afirma que seu surgimento, ou melhor, sua construção ou desenvolvimento dependem muito mais das conexões, da partilha, isto é das redes de relacionamento que as pessoas estabelecem ao longo da vida.

“Uma nova ideia é uma rede de células explorando o possível adjacente de conexões que elas podem estabelecer na nossa mente.”

O possível adjacente, conforme esclarece o autor,

“tem a ver tanto com limites quanto com aberturas. Na linha do tempo de uma biosfera em expansão, a todo momento há portas que ainda não podem ser abertas. Na cultura humana, gostamos de pensar nas ideias revolucionárias como acelerações súbitas na linha do tempo, quando um gênio salta cinquenta anos adiante e inventa algo que as mentes normais, aprisionadas no momento presente, não poderiam descobrir. Mas a verdade é que os avanços tecnológicos raramente escapam do possível adjacente; a história do progresso cultural é, quase sem exceção, a história de uma porta que leva a outra, permitindo a exploração de uma sala do palácio de cada vez. Mas, como evidentemente a mente humana não é limitada pelas leis finitas da atração molecular, de vez em quando alguém tem uma ideia que nos teletransporta para certas salas adiante, saltando alguns passos exploratórios no possível adjacente. Mas essas ideias quase sempre resultam em fracassos de curto prazo, exatamente por terem dado um salto à frente. Temos uma expressão para quantifica-las: dizemos que são “à frente de seu tempo.” (Johnson, 2011)

As grandes ideias dependem, portanto, desse mundo de possibilidades a serem exploradas que inclui as conexões humanas, ou seja, as redes líquidas. O autor utiliza esta metáfora fazendo comparações entre os estados sólido, gasoso e líquido da matéria. Para ele “na forma de gás, o caos impera; novas configurações são possíveis, mas a todo instante são rompidas e despedaçadas pela natureza volátil do ambiente. Enquanto sólido, acontece o contrário: os padrões têm estabilidade, mas são incapazes de mudança. Uma rede líquida, porém, cria um ambiente mais promissor para o sistema explorar o possível adjacente. Novas configurações podem emergir por meio de conexões aleatórias formadas entre as moléculas, mas o sistema não é tão instável a ponto de destruir num instante as próprias criações.”

Com isso, problematiza a importância das redes de relacionamento de caráter informal. As reuniões nas mesas de bares, cafés, enfim, os encontros informais.” Quando trabalhamos sozinhos num gabinete, olhando num microscópio, nossas ideias podem ficar emperradas, presas aos nossos preconceitos iniciais. O fluxo social da conversa em grupo tranforma esse estado sólido privado numa rede líquida.”

Comparando o ambiente destas conexões com o comportamento neuronal, afirma que as comunicações entre os neurônios acontece de maneiras muito diferentes, assumindo formas distinas. Para conduzir nosso cérebro para redes mais criativas, utiliza a metáfora da geometria fractal: para tornar nossa mente mais inovadora, temos de inseri-la em ambientes que compartilhem daquele mesmo tipo característico de rede; isto é, em redes de ideias ou pessoas que imitem as redes neurais de uma mente que explora os limites do possível adjacente.”

Eu, particularmente, gosto muito da metáfora dos fractais, além de serem geralmente muito bonitos, mostram que a natureza “imita” a si própria, criando padrões similares ou idênticos em várias escalas. O alcance das grandes inovações costumam acontecer seguindo estes padrões. No campo social, principalmente, uma vez que o que se quer é o amplo alcance e difusão em larga escala.

Voltando para as redes líquidas, a ideia, portanto é que sejam proporcionadas aos trabalhadores espaços de convívio que possibilitem estas conexões. Atualmente, já existem algumas empresas que investem nestes espaços como a Google e a Pixar.

Não consegui pensar em outra coisa
Não consegui pensar em outra coisa

Gostei muito dessa teoria, ela é um lobby para a vida bohemia, o autor até menciona isso :D. Brincadeiras à parte, outras práticas que seguem o mesmo princípio são a psicoterapia em grupo, a terapia comunitária, que vem crescendo muito no Brasil. As grandes ideias não deixam de ser insights.

Obviamente, as boas ideias que geram grandes inovações não dependem apenas disso, a contemplação, o estudo aprofundado, o background são a base do conhecimento. A troca só vai acontecer se essas redes forem compostas por pessoas que possuam (cada uma com seus interesses pessoais e profissionais), questões a serem respondidas e predisposição e abertura para essa interação.

Outro ponto importante que o autor explora é o tempo necessário para que as ideias sejam incubadas, afirma que o momento eureka nunca é repentino, embora pareça, dada a emoção gerada naquele momento. Afirma que muitas conexões  e um longo tempo de maturação foram necessárias para chegar ao desenvolvimento de uma boa ideia.

Para aqueles queu quiserem ter uma prévia do livro, a palestra de Seteven Johnson no TED traz uma síntese interessante do seu conteúdo.

Video: http://blog.ted.com/2010/09/21/where-good-ideas-come-from-steven-johnson-on-ted-com/

Fonte: JOHNSON, Steven. De onde vêm as boas ideias. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.

Abaixo, a Fibonacci Sequence, vídeo lindo com uma música maravilhosa e que traduz brevemente a teoria do italiano Fibonacci, que  explica os padrões matemáticos dos fractais.

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